13/07/10
FUTEBOL SE GANHA NO CAMPO E POLÍTICA NA URNA
Não tente pensar diferente
Votar é obrigatório. Esta é a democracia brasileira. O eleitor entra apenas com a venda do voto, quero dizer, com o voto. Todo mundo sabe como se faz eleição no Brasil. Mas é proibido contar para o povo, para o mundo.
Vamos fazer de conta que não existe abuso de poder econômico nas eleições, imagina.
Advogados influentes em Brasília sabem que sentenças se tornaram uma questão, digamos, de bom ou mau relacionamento. E dizem isso até mesmo em plena audiência. Portanto, todos devem usar o que tem e ponto final.
Então por que não fazer de conta que eleição se ganha na urna?
Os eleitos, exemplos de políticos democráticos, são incapazes de trocar um voto por uma prótese dentária, ou por uma ajuda financeira direta. Imagina que injustiça dizer o contrário dos nossos políticos, exemplos de honestidade e popularidade.
Errados são os que protestam, os que denunciam os crimes eleitorais. Gente mais chata e encrenqueira. Querer acabar com a festa democrática brasileira.
COMPARAÇÃO
Os jogadores de futebol também enganam a torcida direitinho. Jogam duro (sem trocadilho) fora dos campos, adoram uma surubinha, regada a maconha, pó e amiguinhas que pegam no gol, jogam na zaga, atacam, cruzam, botam a cabeça na bola, penetram na linha de fundo, jogam no meio, enfim...
Eles se divertem bem mais do que trabalhando num jogo de futebol onde têm que correr atrás da bola, suar a camisa, dar e tomar pontapé...
Por isso, política e futebol são parentes, sociologicamente falando.
Para a torcida – e eleitores – o jogo deve parecer limpo. Mas nos bastidores a podridão é capaz de fazer você vomitar. Ou quem sabe, se lambuzar. Aliás, estou vendo tanta gente se lambuzando que vou ter que repensar essa minha pobreza crônica.
A política brasileira já criou até o candidato ficha-limpa por meio de liminar (que bonito, hein?). Viva a democracia!
Geraldinho Alves
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